{"id":847,"date":"2021-11-01T07:00:00","date_gmt":"2021-11-01T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/nucleopaf.com.br\/?p=847"},"modified":"2021-10-24T22:22:54","modified_gmt":"2021-10-25T01:22:54","slug":"capitulo-xii-amai-os-vossos-inimigos-item-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nucleopaf.com.br\/?p=847","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo XII \u2013 Amai os Vossos Inimigos. Item 12."},"content":{"rendered":"\n<p>Instru\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Duelo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>12.<\/strong>\u00a0Em certos casos, sem d\u00favida, pode o duelo constituir uma prova de coragem f\u00edsica, de desprezo pela vida, mas tamb\u00e9m \u00e9, incontestavelmente, uma prova de covardia moral, como o suic\u00eddio. O suicida n\u00e3o tem coragem de enfrentar as vicissitudes da vida; o duelista n\u00e3o tem a de suportar as ofensas. N\u00e3o vos disse o Cristo que h\u00e1 mais honra e valor em apresentar a face esquerda \u00e0quele que bateu na direita, do que em vingar uma inj\u00faria? N\u00e3o disse ele a Pedro, no jardim das Oliveiras: \u201cMete a tua espada na bainha, porquanto aquele que matar com a espada perecer\u00e1 pela espada?\u201d Assim falando, n\u00e3o condenou, para sempre, o duelo? Efetivamente, meus filhos, que \u00e9 essa coragem oriunda de um g\u00eanio violento, de um temperamento sangu\u00edneo e col\u00e9rico, que ruge \u00e0 primeira ofensa? Onde a grandeza d\u2019alma daquele que, \u00e0 menor inj\u00faria, entende que s\u00f3 com sangue a poder\u00e1 lavar? Ah! que ele trema! No fundo da sua consci\u00eancia, uma voz lhe bradar\u00e1 sempre: Caim! Caim! que fizeste de teu irm\u00e3o? Foi-me necess\u00e1rio derramar sangue para salvar a minha honra, responder\u00e1 ele a essa voz. Ela, por\u00e9m, retrucar\u00e1: Procuraste salv\u00e1-la perante os homens, por alguns instantes que te restavam de vida na Terra, e n\u00e3o pensaste em salv\u00e1-la perante Deus! Pobre louco! Quanto sangue exigiria de v\u00f3s o Cristo, por todos os ultrajes que recebeu! N\u00e3o s\u00f3 o feristes com os espinhos e a lan\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 o pregastes num madeiro infamante, como tamb\u00e9m o fizestes ouvir, em meio de sua agonia atroz, as zombarias que lhe prodigalizastes. Que repara\u00e7\u00e3o a tantos insultos vos pediu ele? O \u00faltimo brado do cordeiro foi uma s\u00faplica em favor dos seus algozes! Oh! como ele, perdoai e orai pelos que vos ofendem.<\/p>\n\n\n\n<p>Amigos, lembrai-vos deste preceito: \u201cAmai-vos uns aos outros\u201d e, ent\u00e3o, a um golpe desferido pelo \u00f3dio respondereis com um sorriso, e ao ultraje com o perd\u00e3o. O mundo, sem d\u00favida, se levantar\u00e1 furioso e vos tratar\u00e1 de covardes; erguei bem alto a fronte e mostrai que tamb\u00e9m ela se n\u00e3o temeria de cingir-se de espinhos, a exemplo do Cristo, mas, que a vossa m\u00e3o n\u00e3o quer ser c\u00famplice de um assass\u00ednio autorizado por falsos ares de honra, que, entretanto, n\u00e3o passa de orgulho e amor-pr\u00f3prio. Dar-se-\u00e1 que, ao criar-vos, Deus vos outorgou o direito de vida e de morte, uns sobre os outros? N\u00e3o, s\u00f3 \u00e0 Natureza conferiu ele esse direito, para se reformar e reconstruir; quanto a v\u00f3s, n\u00e3o permite, sequer, que disponhais de v\u00f3s mesmos. Como o suicida, o duelista se achar\u00e1 marcado com sangue, quando comparecer perante Deus, e a um e outro o Soberano Juiz reserva rudes e longos castigos. Se ele amea\u00e7ou com a sua justi\u00e7a aquele que disser\u00a0<em>raca\u00a0<\/em>a seu irm\u00e3o, qu\u00e3o mais severa n\u00e3o ser\u00e1 a pena que comine ao que chegar \u00e0 sua presen\u00e7a com as m\u00e3os tintas do sangue de seu irm\u00e3o! \u2013\u00a0<em>Santo Agostinho.<\/em> (Paris, 1862.)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESTUDO A RESPEITO DO TEXTO: Cap\u00edtulo XII \u2013 Amai os Vossos Inimigos. Item 12.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O duelo figura na Hist\u00f3ria da Humanidade como uma pr\u00e1tica violenta e injusta. Por muito tempo, as legisla\u00e7\u00f5es admitiram esse genu\u00edno resqu\u00edcio da barb\u00e1rie. Ele consistia na exalta\u00e7\u00e3o do mais desmedido e descontrolado orgulho, embora travestido de honra. <\/p>\n\n\n\n<p>Sua l\u00f3gica era a de que a honra se lavava com sangue. Entretanto, o homem verdadeiramente honrado n\u00e3o precisa matar ningu\u00e9m, a fim de atestar essa sua qualidade. A honra \u00e9 um atributo espiritual de quem cumpre todos os seus deveres, inclusive os de humanidade. E \u00e9 desumano matar algu\u00e9m, por mais grave que seja a ofensa recebida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se admitia o duelo, era considerado prova de coragem dele participar. Na verdade, tinha-se apenas exibicionismo social e arrog\u00e2ncia, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9tica. O duelista treinado n\u00e3o passava de um homicida. Ele se lan\u00e7ava na empreitada ciente de sua supremacia. J\u00e1 o que aceitava o desafio sabendo-se em desvantagem cometia suic\u00eddio. Ambos violavam os C\u00f3digos Divinos. Teriam tempo de se arrepender do orgulho a que se entregavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica infeliz deixava vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os, por cujas dores e prova\u00e7\u00f5es os duelistas no futuro responderiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Lentamente a legisla\u00e7\u00e3o humana evoluiu. Hoje n\u00e3o mais se admite o duelo. Entende-se que a honra n\u00e3o se conquista ou se mant\u00e9m \u00e0 custa de homic\u00eddios ou suic\u00eddios. Mas a criatura humana \u00e9 sempre herdeira de suas m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Antigos h\u00e1bitos do passado espiritual n\u00e3o desaparecem com facilidade. Orgulho, arrog\u00e2ncia, prepot\u00eancia, ego\u00edsmo, \u00f3dio e ressentimento s\u00e3o v\u00edcios que ainda pesam fundo na economia moral da Humanidade. Esses sentimentos cru\u00e9is s\u00e3o a heran\u00e7a do que se viveu no pret\u00e9rito remoto. Super\u00e1-los \u00e9 o dever de todo homem comprometido com ideais de paz e reden\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Como visto, hoje n\u00e3o h\u00e1 mais duelos de vida e morte, mas as criaturas permanecem se digladiando por bobagens. Embora n\u00e3o armados, tais confrontos permanecem bastante nocivos. Eles tiram a paz e semeiam trag\u00e9dias. No lar, no ambiente de trabalho, no meio social, os indiv\u00edduos se melindram, com grande facilidade. Ao inv\u00e9s de conversarem e acertarem as diferen\u00e7as, cultivam m\u00e1goas e \u00f3dios, \u00e0 semelhan\u00e7a de tesouros. T\u00e3o nefasto cultivo um dia explode na forma de violentas discuss\u00f5es. Na falta de coragem para enfrentar o presumido opositor, n\u00e3o s\u00e3o raros os que lan\u00e7am m\u00e3o da maledic\u00eancia. Tornam a vida do desafeto um inferno, ao espalhar em torno de seus passos as sementes da desconfian\u00e7a. Onde ele antes via sorrisos e simpatia, passa a confrontar m\u00e1 vontade e cara feia. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda quem duele mentalmente, desejando o mal \u00e0quele que supostamente o ofendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nos tempos de Kardec usava-se a desculpa de defesa da honra ultrajada, hoje \u00e9 praticamente a mesma desculpa, apenas disfar\u00e7ada, se antes se escolhiam padrinhos para o duelo, hoje recrutamos dezenas, centenas ou at\u00e9, em alguns casos, milhares, s\u00f3 que hoje n\u00f3s os chamamos \u201cseguidores\u201d, se antes se escolhia uma clareira em um bosque, hoje substitu\u00edmos isso pelas m\u00eddias sociais, se antes o objetivo era assassinar fisicamente o advers\u00e1rio, ou \u201cofensor\u201d, hoje preferimos assassinar sua reputa\u00e7\u00e3o, humilhar, demonstrar nossa superioridade intelectual (ainda que seja s\u00f3 aparente), queremos que a pessoa que achamos que nos ofendeu seja exposta publicamente ao esc\u00e1rnio, \u00e0 chacota, seja ridicularizada \u00e0 frente de todos, e que isso fique registrado para todos nas m\u00eddias sociais mais acessadas, como um tributo ao nosso triunfo e como uma lembran\u00e7a para que a outra pessoa nunca se atreva novamente a nos desafiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuamos querendo defender n\u00e3o nossa honra, mas nosso ego e, na maioria das vezes, nem \u00e9 defesa do ego, \u00e9 s\u00f3 para o prazer s\u00e1dico de ver o outro sendo ridicularizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso quando n\u00e3o ocorre de o perpetrador dos ataques ser um ex-c\u00f4njuge ou ex amante, ent\u00e3o se exp\u00f5em at\u00e9 detalhes da vida \u00edntima da pessoa, com o objetivo de prejudicar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es como \u201cimbecil, retardado, burro, idiota\u201d e outras menos public\u00e1veis, s\u00e3o algumas das armas que s\u00e3o usadas, e os motivos s\u00e3o os mais f\u00fateis poss\u00edveis, partindo de uma simples contrariedade, principalmente nestes tempos de polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pensamentos negativos por vezes atingem o destinat\u00e1rio, se este vibra em faixa equivocada e tamb\u00e9m se entrega a remoques.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sempre empestam a atmosfera espiritual de quem os emite e geram mal-estar e enfermidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciente dessa realidade, preste aten\u00e7\u00e3o a como voc\u00ea reage a provoca\u00e7\u00f5es e desentendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGuarda a luz divina nos olhos do entendimento, porque, no lar, na sociedade ou no mundo, somos sempre a grande fam\u00edlia humana, cujos membros \u2013 sempre n\u00f3s mesmos \u2013 se integram indissoluvelmente entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a reprova\u00e7\u00e3o ou a cr\u00edtica te assomarem ao pensamento inquieto, recorda que somente vemos nos outros as imagens que conservamos dentro de n\u00f3s e cada homem julga o pr\u00f3ximo pelas medidas que estabeleceu para si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontrar\u00e1s o mau, quando a maldade se ocultar em teu cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 maneira de serpe invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvir\u00e1s a irrever\u00eancia, quando os teus ouvidos permanecerem tocados pela sombra espessa da desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Identificaremos o procedimento censur\u00e1vel, quando ainda alimentamos em n\u00f3s os motivos de tenta\u00e7\u00e3o degradante, induzindo-nos \u00e0s mesmas quedas que observamos naqueles que se tornaram pass\u00edveis de nossa cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos irritamos, vemos a nossa pr\u00f3pria m\u00e1 vontade naqueles que nos cercam.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando desanimados, encontraremos raz\u00f5es para o desalento nas mais belas notas de alegria em nosso ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAmai-vos uns aos outros\u201d \u2013 aconselhou o Divino Mestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Amando fraternalmente, seremos, em verdade, irm\u00e3os do ignorante e do infeliz, do aleijado e do enfermo, de modo a ser-lhes efetivamente \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, no Evangelho, n\u00e3o pede censores; aguarda companheiros de boa vontade que, olvidando todo o mal e surpreendendo o bem celeste em todos os escaninhos da Terra, com ele colabore para que o mundo se fa\u00e7a mais feliz e para que o homem se fa\u00e7a realmente melhor.\u201d (Emmanuel -Psic. Francisco C\u00e2ndido Xavier \u2013 Escr\u00ednio de Luz \u2013 Sejamos Irm\u00e3os \u2013 Pag. 46))<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba que h\u00e1 mais coragem e sabedoria em relevar do que em revidar as ofensas.<br>Cesse com o triste h\u00e1bito de duelar e ofender e passe a perdoar e compreender.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vida honrada \u00e9 a melhor resposta a provoca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense nisso.<\/p>\n\n\n\n<p>Compilado por <strong>Toninho Tavares.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instru\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos. 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